domingo, 13 de dezembro de 2009

LIVREM-SE!

Livrem-se de dizer que oe professores têm uma bela vida. Estou farta de correcções e de ler disparates. Vou dormir pensando nestas belas palavras.
CANÇÃO DA FELICIDADE - SEBASTIÃO DA GAMA:

... Pois à minha vida nada lhe faltava.
Minha taça estava toda ela cheia.
Nem fazia ideia que pudesse haver mais algum prazer que aquele que eu tinha.
Pela manhãzinha pela tarde quente, ninguém mais contente pela rua andava.
As mãos, se as fechava, as mãos, se as abria, tudo quanto havia tudo havia nelas.
Não pedia Estrelas, não pedia flores, não pedia amores, porque os tinha já.
Que de enigmas há! Como a Vida tem coisas que a ninguém passam p’la cabeça!
Antes que me esqueça deixem-me contar: hoje fui passear, manhãzinha ainda,
e vi a mais linda de todas as rosas: pétalas sedosas, vermelhas, brilhantes...

«O que eu quero principalmente é que vivam felizes».Não lhes disse talvez estas palavras, mas foi isto o que eu quis dizer. No sumário, pus assim: «Conversa amena com os rapazes». E pedi, mais que tudo, uma coisa que eu costumo pedir aos meus alunos: lealdade. Lealdade para comigo, e lealdade de cada um para cada outro. Lealdade que não se limita a não enganar o professor ou o companheiro: lealdade activa, que nos leva, por exemplo, a contar abertamente os nossos pontos fracos ou a rir só quando temos vontade (e então rir mesmo, porque não é lealdade deixar então de rir) ou a não ajudar falsamente o companheiro.«Não sou, junto de vós, mais do que um camarada um bocadinho mais velho. Sei coisas que vocês não sabem, do mesmo modo que vocês sabem coisas que eu não sei ou já esqueci. Estou aqui para ensinar umas e aprender outras. Ensinar, não : falar delas. Aqui e no pátio e na rua e no vapor e no comboio e no jardim e onde quer que nos encontremos».Não acabei sem lhes fazer notar que «a aula é nossa». Que a todos cabe o direito de falar, desde que fale um de cada vez e não corte a palavra ao que está com ela.

E eu, que tinha dantes quanto me bastava, nada me faltava para ser feliz,
eu, que nunca quis mais do que me deu o favor do Céu e o da humana gente,
fiquei tão contente como se essa rosa fosse misteriosa flor que eu desejasse;
como se andasse à procura dela por faltar só ela para ser feliz...
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Amanhã é outro dia!

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